Princesa dos Campos: a marca dos 75 anos
31/05/2010



A Expresso Princesa dos Campos foi criada em 1934, com o nome de Empresa Mezzomo. Tinha apenas dois carros Ford 1931 e 1934, que duas vezes por semana faziam a ligação entre Guarapuava e Ponta Grossa, no Paraná. Hoje, sua frota de 285 ônibus é uma das mais modernas e bem-cuidadas do País. No princípio, o fundador da futura Expresso Princesa dos Campos, o mecânico Pedro Mezzomo, enfrentou, ao lado de seu filho Alberto, enormes dificuldades com as estradas, que eram todas de terra e ficavam praticamente intransitáveis quando chovia. 

As dificuldades, no entanto, foram superadas aos poucos e a pequena empresa cresceu. Foi a primeira no Paraná a obter registro no Departamento de Estradas de Rodagem daquele Estado, em 1940. 

Exatamente nesse ano, já estava em condições de fazer sua primeira aquisição: a empresa Pássaro Azul, dos irmãos Iurki e Chiderski, que fazia a linha Ponta Grossa-Curitiba. Os irmãos se retiraram da sociedade e a sede foi transferida para Ponta Grossa; a empresa adotou a denominação de Expresso Princesa dos Campos, de Mezzomo & Cia. Estava em curso a Segunda Guerra Mundial e o cenário era de recessão e incertezas. 

Ela ainda operava as ligações entre Curitiba e Ponta Grossa, e Ponta Grossa e Guarapuava, quando obteve a linha de Curitiba até Foz do Iguaçu. 

A viagem durava de cinco a seis dias e, dada a precariedade das estradas, era feita uma vez por mês em cada sentido. Hoje, a mesma viagem é feita normalmente em 10 a 11 horas. 

A linha Curitiba-Foz do Iguaçu foi mantida pela Princesa dos Campos até 1945. Nesse ano, com a nova Constituição, foi criado o Território do Iguaçu. Seu primeiro Governador, Ovídio Garcez, estabeleceu exigências consideradas abusivas para a operadora poder continuar fazendo a ligação. 

Ela preferiu abrir mão da rota. 

Onze anos depois, em 1956, a empresa simplificou sua razão social, passando a chamar-se Expresso Princesa dos Campos e operando as ligações Curitiba-Ponta Grossa e Curitiba-Guarapuava. Ao mesmo tempo, foram criadas mais duas companhias. A Expresso Princesa do Oeste, para operar a linha de Ponta Grossa-Guarapuava, e a Expresso Princesa Norparaná, para fazer a linha municipal entre Ponta Grossa e Itaiacoca. 

As três empresas operaram até outubro de 1962, quando seu controle acionário foi passado para o grupo familiar formado pelos irmãos Gulin e sobrinhos, os irmãos Alberti, os irmãos Baron e o Sr. Manfron, que permanecem até hoje. 

Os novos controladores empreenderam uma política de constantes aquisições. No restante da década de 1960, por exemplo, foram incorporadas a Expresso Monte Alegre, a Empresa Nossa Senhora das Brotas, a Expresso Tibagi, a Empresa Rio Paraná e a Empresa São Cristóvão. 

Com a compra da Rio Paraná, a companhia chegou novamente ao Oeste e Sudoeste paranaenses, operando diversas linhas entre Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Guaíra, Palotina, Terra Roxa do Oeste, Porto Britânia e Pato Branco. Além disso, voltou a atender Foz do Iguaçu. 

Mais tarde, a operação nessas duas regiões possibilitou-lhe conseguir as linhas diretas Curitiba-Guaíra, Curitiba-Toledo, Curitiba-Pato Branco, Ponta Grossa-Foz do Iguaçu, e Curitiba-Assis Chateaubriand. A seguir, obteve Curitiba-Segredo e Guarapuava-Pato Branco. Em 1968, conquistou mais uma linha, entre Ponta Grossa e São Mateus do Sul. 

Antes de terminar a década, em setembro de 1969, o grupo adotou nova e importante decisão empresarial: reuniu em uma única empresa a Expresso Princesa do Oeste (cuja razão social foi extinta) e a Expresso Princesa dos Campos. Simultaneamente, a Expresso Princesa Norparaná deixou de fazer transporte rodoviário de passageiros e assumiu o nome de Princetur, passando a operar nos ramos de turismo e venda de passagens. A derradeira aquisição da década de 1960 foi a da Expresso Ivaí, que operava as linhas entre Ponta Grossa, Ipiranga e Ivaí. 

Em São Paulo

Marco importante na trajetória da Princesa dos Campos foi a conquista, em 1975, da linha entre Francisco Beltrão (PR) e São Paulo (SP). Essa linha foi posteriormente prolongada para Barracão (PR)-São Paulo e depois para São Miguel do Oeste (SC)-São Paulo. 

Em 1988, foram adquiridas linhas suburbanas no Vale do Ribeira (Estado de São Paulo), ligando a cidade de Registro às localidades de Cajati, Itapeúna, Pariquera-Açu, Sete Barras e outras. 

Nas década seguinte, a Princesa dos Campos passou a operar, em 1995, as linhas Ponta Grossa-Paranaguá e, em 1998, Foz do Iguaçu-Praia Grande, Capanema-São Paulo e Ponta Grossa-São Paulo. 

As linhas Medianeira–Serranópolis,Medianeira–Santa Helena, Santa Helena–Marechal Cândido Rondon e Missal–São Miguel do Iguaçu foram compradas da Unesul em novembro de 2004. Depois de incorporadas, foram transformadas em linhas metropolitanas. 

Em dezembro de 2005 foi comprada a Viação Vale do Iguaçu, com as linhas Curitiba–Francisco Beltrão via São Mateus do Sul, Curitiba–Capanema, Curitiba–Dois Vizinhos, Curitiba–Capitão Leônidas Marques, Curitiba–Santo Antônio do Sudoeste, Curitiba–Francisco Beltrão via Guarapuava e Curitiba–Francisco Beltrão leito. 

Empresa 

A Expresso Princesa dos Campos é um empreendimento familiar que desde sua fundação atuou com competência sob os mais diversos cenários políticos e econômicos, como destaca seu atual diretor presidente, José Gulin: “Nossa empresa sempre soube acompanhar as tendências administrativas sem cair no modismo. Teve a coragem de se profissionalizar, fundir-se ou se dividir quando necessário”. 

Segundo ele, um dos pontos fundamentais da sua política como empresa é a valorização do ser humano, sejam colaboradores ou clientes. “A adoção de uma política de trabalho voltada à valorização do ser humano, sem paternalismo, e uma atitude de pioneirismo, levaram a Princesa dos Campos a uma posição de destaque no ranking das maiores empresas do setor, além de se constituir em referência quando o assunto é transporte de passageiros e encomendas”, afirma José Gulin. 

Em termos de inserção e permanência no mercado, a companhia se pautou pelas atitudes de pioneirismo e pelo crescimento via aquisições e incorporações de outras transportadoras. 

A gestão empresarial mantém o foco na satisfação do cliente e na qualidade da equipe de colaboradores. 

Graças a isso, a empresa foi a primeira no setor de transporte rodoviário de passageiros do Sul do País a receber, já em 1998, a certificação do seu Sistema da Qualidade com a ISO 9002, através da Fundação Vanzolini. Foi recertificada em 2001 por cumprir os requisitos da NBR 

9001:2000. Quatro anos depois, em 2005, foi novamente recertificada, cumprindo os requisitos da NBR 9001:2000. 

É um processo contínuo em que, posteriormente às certificações, foram implementados e desenvolvidos outros avanços, entre eles o sistema de gestão integrada que proporciona a troca de informações em tempo real entre os diversos departamentos da empresa. 

Para atingir e manter seu reconhecido nível de excelência, a Princesa dos Campos empresta grande importância a todo e qualquer diferencial voltado à prestação dos melhores serviços. É o que acontece, por exemplo, quando se trata da manutenção da frota. As oficinas mecânicas existentes nas garagens de Ponta Grossa e Cascavel, além de bem-equipadas, dispõem de profissionais treinados pelas próprias montadoras e fabricantes de equipamentos. 

Para pequenos reparos e higienização dos veículos, existem pontos de apoio em Registro (SP), Curitiba, Irati, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Guaíra (PR).

As ações de responsabilidade social estão concentradas nos programas Expresso Solidário e Natal Solidário, com o desenvolvimento de atividades que incentivam o voluntariado e a solidariedade. A participação no Selo Social da Prefeitura de Ponta Grossa confirma esse compromisso da empresa. 

Orientando-se por essa abrangente forma de atuação e amparada na experiência de tantos anos, a Princesa dos Campos tem os olhos voltados para o futuro. “Queremos continuar crescendo, gerando empregos e prestando serviços com qualidade aos nossos clientes. É assim que desejamos caminhar rumo ao centenário da nossa empresa”, declara José Gulin. 

A Expresso Princesa dos Campos opera atualmente 110 linhas intermunicipais e Interestaduais. Conta com frota de 285 ônibus, além de 20 veículos de apoio, 11 caminhões baú para o transporte de encomendas e 11 furgões para a coleta e entrega de encomendas. São 193 agências de passagens e encomendas, das quais 101 estão interligadas por sistema de venda de passagens on line, que possibilita a venda do retorno já com a poltrona numerada. Há 33 agências exclusivas para encomendas e 24 agências de turismo. São mantidos em média 1.500 funcionários. A frota total percorre cerca de 2,65 milhões de quilômetros por mês, transportando 860.000 passageiros, em média. As linhas interligam os mais importantes pontos turísticos do Paraná e cruzam o Estado de um extremo ao outro. 

As linhas que servem às cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Guaíra, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Assis Chateaubriand, São Miguel do Oeste (SC), São Paulo, Barracão, Capanema e Praia Grande (SP) são atendidas com ônibus Personale, de 44 lugares, dotados de chassi Volvo B12 400 com carroçaria Marcopolo Paradiso, e equipados com sistema de ar-condicionado, três aparelhos de TV, vídeo, som, geladeira elétrica, poltrona soft e autosserviço de bordo. 

O setor de encomendas dispõe de depósitos em todas as garagens da empresa. Os bagageiros dos ônibus são utilizados para o transporte de mercadorias, o que propicia ao cliente entregas rápidas e seguras. A frota de caminhões baús cobre várias rotas. As principais ligam a cidade de São Paulo a Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava Cascavel, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Francisco Beltrão, Londrina, Maringá, Umuarama, Guairá e outras. 

A companhia também presta serviço de fretamento contínuo no transporte de funcionários para empresas, e serviço de fretamento de ônibus para viagens de turismo.  

 

REVISTA ABRATI, MARÇO 2010