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Declarado pela UNESCO em 1983 como Patrimônio Mundial da Humanidade, uma visita as ruínas desta redução jesuítica torna-se um acontecimento inesquecível. Construída em 1735, em blocos de arenito, a igreja matriz levou uma década para a conclusão de sua nave, torre e pórtico, sendo responsável o padre jesuíta italiano Gean Battista Primoli, inspirado na arquitetura barroca. Registros da época descrevem a decoração do seu interior com altares em talha, dourados e inúmeras esculturas em madeira, todas executadas pelos indígenas. É indispensável visitar o Museu das Missões, obra do Arq. Lúcio Costa (1940), valendo-se do espaço físico das casas missioneiras, possuindo um acervo de mais de uma centena de obras em madeira, retratando as imagens de santos, tendo algumas peças atingindo a 2 metros de altura. O turista é brindado com o famoso espetáculo de Som e Luz, que conta com luzes e sons a saga missioneira vivida por jesuítas e índios, massacrados por espanhóis e bandeirantes ladrões e escravagistas. Este espetáculo acontece todas as noites no sítio arqueológico e é imperdível. Maiores informações podem ser obtidas pelo 55 3381 1294 ou www.missoesturismo.com.br .
A história nos revela que no ano de 1626, cabe ao padre Roque Gonzalez desbravar as terras da margem esquerda do rio Uruguai e fundar o povoado de São Nicolau, o primeiro no território gaúcho, na época sob o domínio espanhol. Em 1632 o pe Cristóvão de Mendoza fundou o povoado de São Miguel, próximo de onde se encontra a cidade de Santa Maria e longe da atual redução de São Miguel (marco da civilização jesuítico-guarani, sendo ele também o responsável pela introdução de gado vacum no RS. Nos anos 1637 a 1641, o bandeirante Raposo Tavares, atrás de mão de obra cativa, destruiu as reduções, obrigando os jesuítas a se refugiarem à margem direita do rio Uruguai. O gado abandonado e disperso esparramou-se pelas planices gaúchas, tornando-se gado “chimarrão”, i.é. gado selvagem. Formaram-se então as Vacarias do Mar, que iam até as margens do Rio da Prata, e as Vacarias dos Pinhais que ocupavam boa parte do Planalto Central e dos Campos de Cima da Serra. Corre o ano 1682, os bandeirantes então ocupados com o ouro e pedras preciosas das Gerais, esqueceram nossos indígenas. A grande quantidade de gado espalhado, solto e sem dono, atraiu o interesse de portugueses que passaram a invadir as estâncias dos índios. Quando os índios se perceberam, voltaram para as missões reclamando seus direitos. Iniciava assim o segundo período de catequese pelos jesuítas espanhóis. Foram então construídas novas aldeias, que receberam a denominação de “Sete Povos das Missões” (São Nicolau; São Miguel Arcanjo; São Luiz Gonzaga; São Francisco de Borja; São Lourenço; São João Batista e Santo Ângelo), cada uma delas criadas por um jesuíta. De todas, a que mais prosperou foi a de São Miguel . Entre 1720 a 1750, as reduções atingiram seu auge, com os índios tornando-se exímios escultores e músicos, tudo na mais perfeita harmonia. Eis que Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas e criam uma nova divisão de terras, cabendo a Portugal entregar a região da Colônia Del Sacramento (RU) em troca da região dos Sete Povos, pouco importando os interesses daqueles que eram nativos. A ordem dada aos jesuítas para abandonar a região e se bandear para o outro lado do Rio Uruguai (RA) gerou protesto redundndandou numa Guerra Jesuítico-Guarani, com 10 anos de duração cujo desfecho final foi o extermínio dos povos das Missões. Nesta guerra surgiu o grande herói, o índio Sepé Tiarajú, que após longos combates foi morto junto a 1500 índios, desmantelando toda a estrutura social criada. De todo o esplendor dos sete povos das missões, o que restou, além da sua triste história, são algumas ruínas e o sitio histórico de São Miguel Arcanjo. Situada na região geográfica gaúcha das “Missões”, dista cerca de 500 km pela BR 285 da capital dos gaúchos (copyright www.terraeasfalto.com.br) . |